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A adaptação às alterações climáticas deixou de ser uma conversa à margem e passou a ser um tema de destaque. O calor extremo, o stress hídrico e as inundações estão a colocar questões reais e não apenas debates políticos. Caso em questão: mesmo que a mitigação fosse acelerada amanhã, o perfil de risco físico até 2040-2050 praticamente não se alteraria. Os investidores continuam a ter de planear para um ambiente operacional alterado.
Neste episódio de Sustainability Wired, Lorenzo Saa senta-se com Wendy Cromwell, Vice-Presidente e Diretora de Investimentos Sustentáveis da Wellington, para explicar como os investidores podem gerir o risco físico e financiar a resiliência. Abordam a lacuna entre a ciência e as finanças, o que é um "bom" investimento em adaptação nos mercados públicos e porque é que a transparência da localização está a tornar-se rapidamente um investimento essencial.
O resultado é um olhar prático sobre a forma de integrar a adaptação climática na investigação, na seleção de segurança e no envolvimento.
Conheça os especialistas

Lorenzo Saa
Diretor de Sustentabilidade
Clarity AI

Wendy Cromwell
Diretora de Investimento Sustentável
Wellington Management
Oiça agora para ouvir a conversa completa.
Momentos-chave
| 00:00 - 01:47 | Introdução |
| 01:48 - 03:30 | Introdução a Wendy Cromwell |
| 03:31 - 7:26 | O caminho da Wendy para a liderança em investimentos sustentáveis |
| 07:27 - 12:57 | Os investidores devem analisar a adaptação entre classes de activos? |
| 12:58 - 13:33 | A adaptação é uma forma de atenuar os efeitos da mitigação? |
| 13:34 - 20:24 | Como é que Wellington avalia o risco climático físico? |
| 20:25 - 24:17 | Como são as soluções de adaptação |
| 24:18 - 26:40 | Compromisso e divulgação: locais e cadeias de abastecimento |
| 26:41 - 29:27 | O papel da tecnologia e da IA na adaptação |
| 29:28 - 30:40 | Perspectivas da COP30 e o que se segue |
| 30:41 - 33:39 | A arte da sustentabilidade |
| 33:40 - 36:08 | Perguntas rápidas |
| 36:09 | Observações finais |
Citações e ideias notáveis sobre a adaptação ao clima
Desde a criação de análises climáticas internas até à reformulação da forma como a adaptação se enquadra no investimento sustentável, Wendy oferece uma rara visão interna de como um dos maiores gestores de activos do mundo está a operacionalizar a resiliência. Estes momentos capturam as ideias mais nítidas do episódio sobre riscos, oportunidades e o futuro do financiamento climático.
1. Os investidores e os cientistas devem falar a mesma língua
Wendy recorda como a parceria de Wellington com o Centro de Investigação Climática Woodwell começou com uma pergunta simples mas reveladora - o que é um ponto de base?
"Temos os cientistas do clima - pessoas muito analíticas, muito rigorosas. Depois, há os investidores - nós pensamos que também somos analíticos e rigorosos. Nós falamos de pontos de base, eles falam de cenários RCP. Estas duas linguagens não estavam a ser compatíveis e foi assim que criámos esta parceria. E uma das primeiras coisas que aprendemos com eles - e fez alusão a isto na sua abertura - "Independentemente do que fizermos hoje em termos de mitigação, não podemos parar todas as emissões hoje ou mesmo ontem ou mesmo há uma semana".
2. A adaptação já não é opcional
A autora defende que os riscos físicos são agora inevitáveis e que a atenuação, por si só, não pode conter os impactos já fixados na atmosfera.
"Independentemente do que fizermos hoje em matéria de atenuação - podemos parar todas as emissões hoje ou mesmo ontem ou mesmo há uma semana - o cenário RCP até 2040/2050 é o mesmo. Assim, as consequências do risco climático físico são as mesmas, independentemente do que fizermos em termos de atenuação a curto prazo. Por isso, temos de encontrar uma forma de sobreviver e prosperar num ambiente alterado. E isso deve-se à longa meia-vida dos gases com efeito de estufa no ambiente."
3. A adaptação e a atenuação não são opostas
Wendy também abordou a perceção de longa data de que concentrar-se na adaptação significa renunciar à agenda de transição.
"Penso que houve reticências quanto ao facto de que, se permitirmos a adaptação no diálogo, isso significa que estamos a desistir da transição e da mitigação. Não creio que isso seja verdade. Apenas com base nesta aprendizagem de que, independentemente do que fizermos, vamos sofrer algum nível de risco climático físico, penso que temos de fazer as duas coisas. Não me parece que isso signifique que estejamos a desistir. Penso que significa que temos de reconhecer a ciência e que temos de fazer as duas coisas".
4. Os investidores estão a perder dados essenciais
Apesar de todos os progressos registados na análise das alterações climáticas, Wendy observa que a falta de dados básicos a nível das empresas continua a impedir os investidores de avaliarem plenamente a exposição aos riscos físicos.
"Para fazer trabalho de adaptação climática, é preciso saber onde as empresas têm operações importantes. É preciso conhecer essas localizações. As empresas não são obrigadas a comunicar as suas localizações em qualquer tipo de registo financeiro. Neste momento, o que temos feito em Wellington é contratar estagiários - literalmente todos os anos contratamos estagiários - e esses estagiários ajudam-nos a procurar as localizações das empresas. Parece-me que isso é muito ineficiente. Nem toda a gente vai contratar estagiários para fazer isso. Deveria ser apenas informação de mercado, para que o mercado possa ajudar as empresas a avaliar este risco e a fixar o seu preço".
5. A IA está a impulsionar a procura de resiliência
Wendy vê um papel para a IA na expansão da forma como os investidores identificam oportunidades de adaptação através de informação vasta e não estruturada.
"Em termos de geração de ideias, utilizamos o processamento de linguagem natural para analisar transcrições e apresentações de investidores, chamadas de lucros trimestrais. Alimentamo-lo com palavras-chave que pensamos estarem associadas a estes perigos, ao risco climático físico e à resiliência. E isso ajuda-nos a identificar potenciais investimentos para o nosso universo de investimento".









